Exposição Victormar

Lagoa de Santo André  - dezembro 2021

Victormar- pseudónimo de Victor Horta

Nascido na aldeia de Torre das Vargens, distrito de Portalegre, 1951

Professor nos ensinos preparatório e secundário

Licenciado em História

Mestre em história de Africa

Tese "Africa no imaginário cinematográfico português "

As fotografias de Victor, pseudónimo de Victor Horta, reflectem sempre um ponto de vista muito personalizado sobre o mundo, devolvendo-nos os lugares mais comuns com perspectivas novas e surpreendentes.

Tanto a cores como a preto e branco a arte do fotógrafo revela-se també na mestria da captação dos contrastes de luz e sombra, na valorização por vezes minimalista dos planos de água, da terra e do céu. É difícil não nos deixarmos hipnotizar pelos movimentos dramáticos das nuvens, pela dimensão da paisagem, onde minúsculas figuras humanas nos dão a escala do espaço e do tempo.

Esta exposição não pretende ser uma descrição documental da Lagoa, na multiplicidade de formas e de ocupação humana ao longo do ano mas apenas um conjunto de belas imagens desta Lagoa tão fotogénica, captadas pelo autor, no reencontro com esta região quarente anos depois de aqui ter exercido o primeiro ano da sua carreira docente.


Chega-se por caminho perpendicular ao mar escondido pelo areal, de que apenas se escuta o som cavo do bater das ondas.

Aí no cruzamento, onde noutros tempos se acamaradava em abaladiças, olha-se à esquerda e alcança-se uma pequena parte da sua imensidade. Eis a lagoa, de nome próprio de Santo André!

Em frente, entre duas paralelas traçadas pela natureza, corre o Atlântico de um lado e a lagoa do outro. Ao fundo, transversal, uma duna esconde a garganta ora aberta ora fechada, por onde se fundem as águas, uma vez por ano, num ritual que aos da lagoa não cansam de ver.

O areal imenso, converte a pequenez do Homem num minimalismo de rara beleza. É como se a imensidão tornasse o infinito numa escala humana singular, qual beleza que se deixa capturar fotograficamente pela luz que lhe desenha contornos e revelos.

Neles se converte o engano do que esta verdadeira mente longe e próximo.

Vira-se as costas ao Oceano e contempla-se a duna á direita e, do lado esquerdo, o ancoradouro. AS águas serenas são atravessadas a força de braço por remos manejados por pescadores que, na serenidade de experiencia tranquila, lançam as redes que hão-se prover ao paladar e à tradição.


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